Peso nos ombros

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Com 27 anos eu entrei numa fase estranha. Fazia faculdade, trabalhava, recebia um salário bacana para a época, morava junto com meu namorado e tinha poucos amigos. Tudo o que eu tinha planejado quando decidi ir morar em Campo Grande. Estava acontecendo!

De repente acordar ficou pesado, sair da cama extremamente difícil. Trabalhar ficou automático, ir para aula um suplício. Não tinha motivos. Nada aparente. Mas viver me doía. Queria dormir, sumir. Lembro de uma conversa com minha mãe e eu disse a ela que eu somente sobrevivia. Nesse período eu tinha momentos bem alegres, mas a minha rotina era morta. Minha alegria virou apatia. Não tenho  recordações daqueles meses, porque no fundo virei um zumbi. A sensação era de que eu nunca chegaria a lugar nenhum.

Hoje a vida é outra. Tirei o peso de “ter que ser feliz”, “ter que ter sucesso”, “encontrar o amor da minha vida”… e todas essas coisas que quando temos vinte e poucos, ou vinte e tantos, nos escravizam. Escolhi a liberdade. Parei de escrever metas, alvos, ou qualquer coisa que pudesse me causar frustração. Entendi que eu era jovem e parei de tentar ser mais do que eu tinha condições de ser.

Nesse período turbulento eu amadureci. Na marra. Na pancada.   Tirei a frase “para sempre” da minha vida. Por que ela escraviza. A substituí por “hoje”. Por exemplo, eu não queria pensar que meu relacionamento duraria “para sempre”. Isso me dava pânico. Decidi que queria fazer aquele relacionamento funcionar “hoje”. Desisti de lutar para ser a melhor vendedora (área que eu trabalhava na época) de todos os tempos. Comecei a viver um dia de cada vez. Busquei descobrir o que me fazia feliz. Lutei para reencontrar minha espontaneidade. Reconstruí a minha vida com base nessas descobertas. E acho que deu certo. Mas o tempo passou… eu cresci… minha perspectiva mudou… Me reencontrei.

Lembro que quando terminei meu relacionamento eu pensava que tinha desperdiçado todos aqueles anos. Com o tempo aprendi a pensar diferente. Os aproveitei bastante, mas de outra forma. Acompanhada. E aquelas experiências me fizeram chegar onde cheguei. Não me coloco mais esse fardo de ter namorado alguém muito tempo e não ter dado certo. É um peso difícil de carregar, que não levará a lugar nenhum e prejudicará a história que construi hoje. Aceito o meu passado, aprendo com o que se foi. E deixei ir…. E aos pouquinhos essa mochila pesada se vai…

Desejo uma vida plena, com a convicção de que precisamos desses vales para entender o que é estar nas alturas. Faz parte da construção da identidade do ser humano. O caos pode nos fazer pessoas melhores. E o abafamento das tribulações nos ensinam a voar com a leveza que uma hora virá.

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